Nosso planejamento articula aspectos pedagógicos, ciclos e elementos da natureza, e as Cinco Sabedorias. Nossos projetos tem um eixo bimestral comum para os variados grupos de crianças de toda a Escola. Conheça um pouco mais nosso plano anual a partir de seus eixos temáticos e suas conexões entre a estação, o elemento da natureza, o princípio norteador e a sabedoria em destaque naquele período.

Eixo temático 1: Acolhimento, famílias, identidade
Primeiro bimestre

Estação do ano: Verão

Elemento: Água

Princípio norteador: Integralidade

Sabedoria: Acolhimento

Festividade: Encontro de Boas Vindas


A partir da sabedoria do acolhimento ou espelho, compreendemos que nossos conteúdos internos se refletem produzindo nossa experiência externa de mundo. Isso nos convida a uma escuta e a um olhar atentos e abertos sobre nós mesmos, e também sobre o outro, para que possamos realmente acessar a sua maneira de ser.  Com a sabedoria do acolhimento, é possível receber o outro com os referenciais objetivos e subjetivos do seu próprio mundo, com abertura, de forma lúcida. Agir segundo essa sabedoria significa olhar para o outro e oferecer aquilo que faz sentido dentro do mundo dele, aquilo que ele é capaz de entender em seu sistema de referências, ajudando a ampliá-lo a partir dali; significa abrir-se ao outro, ouvindo-o, percebendo-o em seu mundo, interagindo e acolhendo suas necessidades.

Nosso ano letivo começa no verão, com temperaturas elevadas. O calor convida para a água, que é o elemento relacionado a esta sabedoria. A água é flexível e aberta, é um fluxo e, observando suas qualidades e seu papel fundamental na saúde, podemos aprender a exercitar seus valores na relação conosco mesmos e com os outros. As primeiras semanas do ano exigem uma dedicação importante da escola e da família para que o acolhimento ocorra de forma suave e tenha êxito. Neste período, é necessário investir no diálogo, nos acordos, no ritmo do cotidiano, e estabelecer pequenos e significativos rituais que vão constituir o sentido de pertencimento. Olhar para cada um, conhecer o outro e um pouco de sua história, família, identidade, são elementos que podem estreitar os vínculos e enriquecer os olhares no grupo.

 

Eixo temático 2: Memória, tradição, diversidade
Segundo bimestre

Estação do ano: Outono

Elemento: Terra

Princípio norteador: Diversidade

Sabedoria: Igualdade

Festividade: Festa do Outono


Na sabedoria da igualdade, surge a habilidade de tirar o foco de nós mesmos e praticar a generosidade, oferecendo benefícios aos outros, neles identificando qualidades positivas e podendo irrigá-las. Qualquer ação que seja para o outro, ajuda a trabalhar esta sabedoria. Conseguimos ver além de nós mesmos, e encontramos uma forma de olhar os outros sem exclusão.

Entendemos que todos  tem a mesma natureza livre e criativa, mesmo nos expressando de formas diferentes. Passamos a nos alegrar com a alegria do outro, tão naturalmente quanto uma mãe se alegra com cada alegria dos seus filhos, pois não se vê separada deles. Podemos aprofundar o olhar gerado no bimestre anterior, e ampliar o olhar para a diversidade, através da memória e das tradições que surgem do repertório do próprio grupo e além.

Nesse período, quando vai chegando o Outono, percebemos a coloração da vegetação que inicia seu tempo de recolhimento: as folhas amarelando e caindo. Ao mesmo tempo observamos a generosidade da terra: bergamotas, laranjas e outras frutas deixam os pés carregados. Saímos a colher e agradecer essa oferenda abundante da terra para nós! As frutas ricas em vitamina C nos oferecem a oportunidade de fortalecermos o corpo para receber as temperaturas mais baixas.

 

Eixo temático 3: Formas de conhecimento de si, do outro, do mundo. Saúde.
Terceiro bimestre

Estação do ano: Inverno

Elemento: Fogo

Princípio norteador: Conhecimento

Sabedoria: Investigativa

Festividade: Festa Junina


A sabedoria investigativa, ou discriminativa, estabelece o eixo que nos permite entender o fio que deve permear as nossas ações. Ela reflete uma atitude curiosa, investigativa, que busca olhar mais a fundo as coisas aparentemente simples que estão à volta; essa atitude é a base para desenvolver uma visão mais profunda sobre a própria vida e dos outros ao redor.

É uma postura de observação que não simplesmente lida com tudo de maneira trivial, mas vê em cada experiência uma oportunidade de conhecer mais profundamente a si mesmo e ao mundo, e encontrar conteúdos significativos que conduzam à sabedoria e a uma felicidade mais estável e pacífica.

Nosso inverno, geralmente muito úmido e com muita chuva, traz temperaturas bem baixas. Esse contexto traz uma natural introversão, e convida a acender o fogo, agasalhar-se e alimentar-se bem para que o corpo possa gerar calor. É um tempo que naturalmente nos convida a olhar para nossa saúde. Tempo de recolhimento, de ações mais reflexivas, e nossos movimentos acontecem mais em espaços fechados. O fogo convida para a contemplação e o observar das sensações internas. Descansamos e silenciamos, seguindo a dinâmica da natureza.

 

Eixo temático 4: Habitar o mundo de formas positivas
Quarto bimestre

Estação do ano: Primavera

Elemento: Ar

Princípio norteador: Sustentabilidade

Sabedoria: Causalidade

Festividade: Festa da Primavera


A causalidade é o princípio  estruturante da realidade na qual estamos inseridos, com os fenômenos todos encadeados em relações de causa e efeito. Cada ação tem uma reação, isso é visto no mundo natural e, em uma perspectiva paralela e ampla, vamos compreender que ações positivas tem consequências positivas e ações negativas tem consequências negativas entre as pessoas. Vários símbolos podem nos remeter a essa compreensão, como o da semente, que guarda em si o potencial de desabrochar em planta, definido pela essência da própria semente. O processo do desabrochar e do crescer na primavera, com todos os fatores causais associados – como o sol que volta a aquecer, a chuva que vem irrigar –, também são lindas imagens de causalidade.

Os fortes ventos da primavera destacam a ação do elemento ar e trazem uma poda natural após o inverno que, partindo galhos fracos, fortalecem as árvores para que os novos ramos possam crescer saudáveis. Isso remete à ação forte de cortar a negatividade e o supérfluo, para que o benéfico possa se consolidar e se fortalecer no campo das nossas ações. No contexto da prática educativa, esta sabedoria permite que possamos dissolver obstáculos e negatividades, ou integrá-los, para que as aprendizagens sejam significativas e positivas. Podemos avaliar os resultados das ações humanas em ampla escala e, com base neles, escolher as ações positivas que trarão resultados promissores para nós e as futuras gerações, numa perspectiva ampla, não buscando benefícios individuais, imediatos e transitórios que possam vir a causar prejuízos amplos, coletivos e duradouros. Ao aprofundar a percepção essencial da causalidade, podemos desenvolver uma relação positiva conosco, com o outro e com o mundo.

Ao agir, acionamos elementos causais. Em uma ação estruturada com fim positivo, como o cultivo de um jardim, pomar e canteiros, podemos contemplar a causalidade e desenvolver uma ação positiva no ambiente em que estamos inseridos. As diversas tecnologias e as ações humanas no mundo, tanto positivas quanto negativas, serão abordadas desde as atividades mais simples até as mais complexas ao longo dos anos da trajetória escolar.

 

Eixo temático 5: Sobre a terra, sob o céu: aqui vivemos.
Quinto bimestre

Estação do ano: verão

Elemento: Espaço

Princípio norteador: Criatividade

Sabedoria: Transcendência

Festividade: Festa do Céu


A sabedoria da transcendência corresponde ao reconhecimento da criatividade humana fundamental, de onde emerge a cultura. Reconhecer essa sabedoria é reconhecer o ponto básico e criativo que une toda a humanidade. O exercício dessa sabedoria desenvolve a habilidade de repousar na liberdade natural que é nossa condição mais profunda. Significa que podemos gerar ações livres, independentemente das aparências externas das circunstâncias. Podemos criar e fazer surgir contextos novos, favoráveis, positivos para todos.

Esta sabedoria está ligada à metáfora do céu, que tudo abarca sem distinção, de onde tudo surge e para onde tudo volta, até mesmo a própria Terra, estrelas, planetas e corpos celestes em geral. Reconhecer o céu como nossa casa, de certa forma, nos torna mais resilientes ao aspecto limitado das aparências das coisas, o que nos possibilita uma atitude mais tranquila frente às situações de problemas, com confiança. Nosso último bimestre traz o espaço como elemento: um convite para olhar o céu e as infinitas possibilidades de criar, recriar e transcender. Esse período nos remete também ao sagrado, à conexão com o que nos toca profundamente e nos traz brilho aos olhos.

O aumento do calor e as cores cada vez mais intensas da vegetação nos recordam os ciclos, assim como as festas de final de ano. Olhar o fim de ciclos e os seus recomeços nos desperta a gratidão de estar aqui, vivendo sobre a terra e sob o céu.

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