Crianças e natureza, um vínculo indispensável

 

Para quem teve em sua infância a oportunidade de brincar ao ar livre, basta fazer um pequeno exercício de memória para perceber o quanto essas vivências deixaram marcas preciosas em sua constituição interna. São lembranças que parecem ter a capacidade de expandir os pulmões, relaxar os músculos e fazer brilhar os olhos com uma alegria serena.

Em um estilo de vida urbano e contemporâneo, às vezes nem nos damos conta da falta que essas experiências fazem para a saúde física e emocional. As crianças estão em um ponto do seu desenvolvimento no qual o contato com a natureza é indispensável.

A pesquisadora e educadora Maria Amélia Pereira, em seu mais recente livro chamado Casa Redonda – uma experiência em educação, descreve por meio de extensiva observação direta como as crianças apresentam uma ligação natural com os elementos da natureza, que se tornam seus brinquedos preferidos.

Seus estudos buscam demonstrar a relação entre o desenvolvimento corporal saudável e a necessidade de contato com a natureza e seus elementos, afinal, “nosso corpo é natureza”.

Maria Amélia lança à sociedade uma pergunta:

“Criam-se tantos movimentos pela manutenção de reservas naturais para os animais, e onde se encontra uma ação verdadeiramente comprometida com a presença da natureza como o habitat de nossa espécie, sem o qual o desenvolvimento das crianças não se cumpre em plenitude?”

A BBC publicou, em março de 2012, uma reportagem sobre o efeito dessa desconexão entre as crianças inglesas. O texto aponta vários transtornos no desenvolvimento infantil, como estresse e agressividade, relacionados ao chamado “transtorno do déficit da natureza” (nature deficit disorder). A matéria afirma ainda que crianças inglesas com diagnóstico de TDAH (ADHD- em inglês) apresentam uma melhoria nos sintomas quando em contato com a natureza. (Ver matéria completa aquihttp://www.bbc.co.uk/news/science-environment-17495032).

Para Maria Amélia, “ao brincar com a água, a terra, o fogo e o ar, as crianças estão entrando em contato com símbolos fortes que acompanham o imaginário da humanidade desde sempre. Brincar com os elementos é fundamentalmente criar raízes com a Terra, é vincular-se à natureza compartilhando de um acolhimento mútuo, vivido entre dois entes misteriosos – o Homem e o Universo.”

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3 comentários sobre “Crianças e natureza, um vínculo indispensável

  1. As crianças no espaço urbano vivem (?) em caixas de diversos tamanhos e estilos: a moradia é uma caixa de concreto,o transporte é uma caixa de metal. Sai de uma caixa e entra em outra. Quase não toma Sol. O chão é impermeável com cimentos e ou asfalto. Aprende que folha de árvores no chão é lixo. não pode tomar chuva porque pode ficar doente, não pode molhar os tênis de marca X por que custou caro. Não pode subir em árvores, porque é perigoso e o síndico pode multar… Não pode, não pode, não pode…

    Cadê a natureza que estava aqui? Os adultos sepultaram! Cadê os adultos? Foram para suas caixas! Cadê as caixas? Estão nas cidades! Cadê as cidades? Estão no lugar que antes havia natureza!…

    Quando eu crescer, quero morar no mato!

    Um grande abraço a todos.

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  2. Lindo.
    Gostaria de conhecer pessoalmente e, se possível, ficar um tempo contribuindo e aprendendo com os que já vivem essa experiência linda por ai.

    É possível?

    Um grande abraço e fico muito feliz em ver artigos e formas tão belas e genuínas de se educar como percebi na Escola Caminho do Meio.

    p.s: e fica um pergunta: como trazer natureza ao espaço construído que habitamos? Eu concordo com tudo que foi dito no texto. Trabalho com Ecologia Profunda e acampo há 15 anos (quando criança e hoje como educador socioambiental, e ainda criança rs) e por vezes penso e tenho dificuldades em resgatar valores de contato com os elementos que nos fazem parte, num espaço urbano – tal como descrito pela Solange – como no qual convivo.

    Percebo a dificuldade de aproximar a “realidade” em um local tão recheado de conceitos fragmentados.
    Como despertar essa consciência da necessidade da natureza nas pessoas(adultos, idosos, crianças) no espaço arquitetado?(meio urbano)

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  3. Adorei. É isso mesmo. Felizes das crianças que ainda podem sentir a terra entre os dedinhos dos pés descalços… delícia! Tenho muita pena das que ficam confinadas nos limites das caixas, casas-caixas, shoppings-caixas, escolas-caixas, corpos e mentes encaixotados… Bem, vamos aos parques, aos piqueniques, subir nas árvores, há ainda muitos e bons aqui nesta cidade.

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