As neurociências e a construção de uma inteligência ética

A introdução de práticas contemplativas nas escolas podem ajudar na formação de seres com inteligência ética, amorosidade e a visão de produzir benefícios. A partir desta ideia, a educadora Regina Migliori trouxe no quinto dia do Encontro de Educação – Renovando Olhares e Práticas a contribuição das neurociências. São abordagens que estudam o cérebro e as redes neurais, mais precisamente nos fenômenos da atenção e da aprendizagem.

Regina, que é consultora em educação com foco em valores, cultura de paz e sustentabilidade, falou sobre a experiência positiva da introdução da meditação em escolas de Campinas (SP).

Ao criticar a cultura contemporânea do consumismo e das “necessidades artificiais”, ela explicou como é possível reconfigurar as redes neurais para uma vida mais saudável. A meditação contribui para esta reconfiguração, reforçando a área do cérebro ligada à ética e aos valores positivos.

Veja abaixo trechos da fala de Regina Migliori.

“O estabelecimento das redes neurais, que são como avenidas de impulsos nervosos, é uma mágica, é algo magnífico que ocorre em nós. Essas redes neurais funcionam com base na atenção (interesse), na fixação (repetição) e na evocação (memória). Com essas três etapas ocorre a aprendizagem. A cada vez que a aprendizagem acontece, há uma mudança anatômica, uma alteração na estrutura daquele cérebro, porque os neurônios passam a fazer novas sinapses.

A produção de necessidades artificiais, como as de consumo, imprime redes neurais em nosso cérebro. Toda substância produtora de dependência aumenta a liberação de um neurotransmissor chamado dopamina, numa região chamada de núcleo accumbens, que produz a sensação de recompensa. Este núcleo é uma região primitiva do cérebro, que está ligada ao prazer imediato. A pergunta que nós, educadores, devemos nos fazer é a seguinte: será que estamos fortalecendo um modelo de vida centrado no excesso de produção de dopamina? Estamos reforçando esta estrutura, que provoca tantos problemas no mundo contemporâneo?

Melhor do que isso é se nós procurarmos ajudar no direcionamento estrutural do ser humano para uma inteligência ética. Com isso, vamos ativar uma estrutura mais evoluída do cérebro, com capacidade reflexiva e valores positivos, que está localizada no alto da cabeça e é aquilo que nos torna humanos. Com isso, vamos desenvolver uma inteligência ética e benéfica para todos”.

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3 comentários sobre “As neurociências e a construção de uma inteligência ética

  1. Acredito muito nessa proposta. Sou professora há 25 anos e sempre busquei algo especial para o convívio e relações na escola. Atualmente identifico minhas buscas com a propostas que vocês apresentam.

    Grata por conhecê-los.

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  2. Sou professor fund/med e esta abordagem me parece bastante interessante, inclusive por eu ser também praticante budista. Mas como professor de história e das humanas, encontro dúvidas em trabalhar conceitos “inatos” como a “bondade” e a “ética”… Quem define o que é ético? O que é bom? Como passar isto aos alunos sem passar ao mesmo tempo o que é ético para nós em especial. Digo isso pois todos os sistemas totalitários como o nazismo e comunismo trabalharam a educação como um meio de produzir, dentro do seu ponto de vista, uma visão “correta” da sociedade, que dentro do escopo destas ideologias, poderia se chamar de “ética”… como a superioridade de uma raça sobre outra ou a “bem-aventurança” de uma classe social em detrimento de outra. Em nome de supostos “valores universais” muita gente morreu e muita gente emburreceu… É um questionamento que me acompanha sempre em minha prática pedagógica. Enfim…

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