Educação do Campo: a aventura de criar uma escola popular – parte 2

Por Rafael Litvin Villas Bôas*

Parte 2

Estamos já na quarta reunião do comitê de educação para o campo, há por volta de 60 estudantes participando, Nós nos reunimos em diversos locais, e os vários interesses que são apresentados são analisados de um modo democrático. Todos os estudantes definem a programação. Eles protagonizam as reuniões, tomam decisões e os professores apoiam e tentam colaborar. Os professores não dirigem as reuniões, eles não definem os temas.

Então nós estamos nesse momento, muito rico, de poder apontar os acontecimentos do passado, de criticar como as coisas se estabeleceram nesse tempo, por exemplo. Gosto de apontar para a placa que há na entrada de Cavalcanti, com os dizeres: “Bem vindo, o progresso chegou a Cavalcanti”. Creio que a placa deveria dizer: “Bem vindo! Aqui esta o maior quilombo do Brasil, onde residem aqueles que sobreviveram a uma história muito dura de escravidão e que hoje estão construindo e mantendo essa cidade”. Porque dizer que o progresso chegou aqui parece querer simbolizar “invista aqui”. Mas investir no que? Na mineração? Investir onde?

Uma visão comunitária para o futuro

Estamos cultivando uma outra lógica, não de investimento, mas comunitária, democrática. Esse tipo de visão é que precisa imperar, e os estudantes tem discutido muito, tem levado muitos temas novos para a UNB, estamos criando esse novo olhar, a partir de um curso realmente voltado para os movimentos sociais, para uma educação integrada com as demandas do campo.

Na nossa primeira turma havia apenas quatro estudantes da comunidade quilombola. Na terceira eles já eram 14, na quarta 24 e na quinta turma eles já eram 70% da turma. Eles mudaram as características do curso, exigiram o seu reconhecimento, não aceitaram ficar invisíveis, fizeram um trabalho boca a boca e ocuparam o espaço de forma democrática. Então agora os professores tem essa demanda, conhecer a historia dos quilombolas, de como essa comunidade se organizou, se tornou imperativo que os professores passassem a conhecer mais sobre a história dos seus novos alunos.

Estamos agora nesse patamar, que tem alterado a Universidade de Brasília, que foi a primeira faculdade a implementar as cotas para afro-descendentes e indígenas. Eles criaram essa relação na qual é possível um dialogo com aqueles que ficaram durante muito tempo à parte do sistema educacional de nível superior. O Edson, por exemplo, vai colaborar ensinando a linguagem áudio visual para grupos de estudantes e professores. Eles vão produzir um filme sobre a educação do campo, mostrar as suas demandas a partir de uma linguagem de audio visual. Vamos mostrar as ações que acontecem dentro e fora da escola de um modo articulado.

Educação do Campo – Parte 1

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