Novo semestre, novas descobertas

Após o recesso de inverno, esta semana as crianças, professores e equipe da Escola Infantil Caminho do Meio estão de volta às atividades. O segundo semestre se inicia por dentro do ambiente sutil do Buda Vermelho, que representa a sabedoria em destaque nas atividades e vivências da escola durante os meses de Julho e Agosto. O Buda Vermelho é o Buda Amitaba, e diz respeito à Sabedoria Discriminativa ou Investigativa.

Essa sabedoria estabelece o fio, o eixo que comporta o conjunto de ensinamentos da linhagem de mestres de sabedoria, que estabelece um referencial seguro e lúcido sobre o qual as crianças podem aprender a apoiar o seu próprio discernimento. Entretanto, essencialmente, o budismo é uma tradição que surge antes de perguntas e investigação, do que de um conjunto de respostas reveladas.

Pode-se dizer que todo o ensinamento budista, em toda a sua abrangência e profundidade, nasce inicialmente de perguntas que o príncipe Sidarta fez antes de se tornar o Buda, que quer dizer aquele que acordou.

Investigando a mente

O príncipe Sidarta se inquietou diante de questões que são realmente intrigantes, mas que normalmente ignoramos no dia-dia, sem nos perguntar verdadeiramente sobre o seu significado, tais como: por que envelhecemos? Por que adoecemos? Por que morremos? O que acontece quando morremos? Por que as coisas mudam mesmo quando não queremos que elas mudem? Se tudo muda sempre, por que não nos acostumamos com esse fato, por que mesmo assim precisamos sofrer diante das mudanças? Se estamos à frente da nossa própria vida, por que não temos domínio completo sobre nossas próprias vontades, sentimentos e emoções, nem sobre os acontecimentos que se passam conosco?

Essa atitude curiosa, de observação profunda, que busca olhar mais a fundo as coisas aparentemente simples que estão à volta, é a base para aproximar alguém do caminho de aprofundamento de sua própria vida, e também a maneira como avançar por dentro desse caminho.

Esse caminho de investigação foi o que o Buda revelou após muitos anos de intensa observação direta de sua mente e dos fenômenos, quando ele encontrou respostas e levantou-se para compartilhar com as pessoas, dando origem aos muitos ensinamentos. O que ele encontrou não foram respostas prontas, fixas, mas uma maneira de olhar o mundo que poderia ser compartilhada, e a partir dela – a partir dessa posição de mente – os nós das complicações, nas mais diversas situações, poderiam ser desatados.

Curiosidade natural

No caso das crianças pequenas, a própria experimentação do mundo consiste em constantes descobertas. É importante ajudá-las a olhar também para si, incluindo a compreensão de suas próprias emoções, seu surgimento e como elas mobilizam em direção às ações decorrentes.

Na escola, os professores procuram, neste período, valorizar e fortalecer junto às crianças uma atitude investigativa e curiosa frente às experiências do cotidiano, internas e externas, apoiando a natural curiosidade das crianças frente ao mundo que as cerca, abrindo um espaço adequando para escuta de suas perguntas e incentivando-as a buscar as respostas, testar, pesquisar, observar..

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