Mandala Escola

Pedagogia Budista educa para a felicidade, cultura de paz e relações positivas

Por Lama Padma Samten

Na Escola Infantil Caminho do Meio, nossa ideia é formar crianças para entrar numa estrutura de relações positivas – que chamamos também de mandala. Assim, elas vão poder gerar méritos e andar no mundo de maneira positiva.

Não gostaríamos de gerar uma escola somente para competir no vestibular, e depois cada um ir viver isolado sua vida particular, de uma forma estreita. A vida por dentro da mandala é muito mais interessante. Mas dentro disso, se as crianças no futuro quiserem fazer vestibular, não tem nenhum problema, porque elas já saberiam como manejar as inteligências positivas e fazer as coisas funcionarem melhor em suas vidas e no entorno.

Na Escola, estamos seguindo uma linha que deriva do próprio ensinamento do budismo. A questão é como propiciar aquilo no contexto em que há crianças que começam com um ano de idade. Além disso, acredito que seja necessário despir todo aspecto religioso do ensino. Na nossa escola, ainda que a gente tenha meditação, um altarzinho e preces no início e final do dia, o aspecto religioso se encerra aí, não tem mais nada. Porque o cerne da filosofia está no coração, não do lado de fora. Não é uma explicação externa.

Ou seja, a lucidez é o próprio processo da espiritualidade. A espiritualidade não será vivenciada a partir da criação de uma realidade artificial chamada budismo na qual vamos nos fixar e nos fechar. Não é isso.

O budismo é essencialmente um processo filosófico que vai superar a noção de avidya. Quando digo avidya, uso essa palavra porque o processo sutil à qual ela se refere, e que o budismo vai trabalhar, é tão complexo que merece uma palavra que a gente não sabe o que é. Merece uma nova palavra, um conceito.

Na educação estamos treinando as pessoas para que, dizendo de uma forma rápida e numa linguagem simples, elas possam ser felizes, possam operar de forma colaborativa, ampla e vitoriosa, e tenham liberdade nas suas ideias em relação à cultura dominante. Que elas possam acessar aquilo que o professor Alan Wallace chama de dimensões escondidas, que estão dentro da própria cultura.

Especialmente, que a pessoa possa entender como que ela se constrói como uma pessoa – compreender que ela se constrói de maneira mágica, e pode se construir de forma livre, e ser capaz de se construir em diferentes contextos de diferentes formas e interagir naqueles ambientes diversos de modo positivo.

Como diferentes visões de realidade e diferentes universos podem conviver dentro da pessoa, e ela atua de modo não contraditório com essas diferentes identidades? Essas são as dimensões ocultas que a pessoa acessa. A pessoa surge inseparável do que ela vê: a mente dela se espelha, e seu mundo interno pode ser descrito pelo que ela vê.

A questão social surge da forma como uma pessoa interage com os outros e vice-versa. Por isso, o processo da mandala é crucial: a mandala é esse processo sutil, que podemos experimentar em nossas vidas como essa posição de mente através da qual podemos nos mover nas diferentes circunstâncias de maneira positiva. E esse movimento livre e naturalmente positivo é a fonte daquilo que estamos chamando de felicidade.

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